Adultos com TDAH como diagnosticar e tratar na vida adulta com a TCC
- Above all It
- 5 de abr. de 2023
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Atitudes como agitação, impulsividade, desatenção são coisas que as pessoas geralmente não têm muita paciência para lidar no dia a dia, mas você sabia que podem ser sintomas do transtorno chamado de TDAH? Ainda mais na vida adulta, em que se espera dos indivíduos um desempenho máximo nas atividades, sem nada para distrair o foco, fica ainda mais difícil abrir espaço para discussões sobre o transtorno. Neste texto, vamos te explicar o que é o TDAH em adultos, como ele pode ser diagnosticado de maneira tardia e tratamento na terapia cognitiva comportamental.
O que é o TDAH?
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que se caracteriza por um padrão persistente de desatenção e hiperatividade por no mínimo 6 meses, com prejuízo no desenvolvimento e funcionamento em mais de um contexto. Os adultos com TDAH costumam apresentar um padrão de comportamento evitativo motivado pelos sintomas, sendo desenvolvido um viés negativo sobre as próprias capacidades.
Segundo o mais recente Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais o DSM-V a desatenção se caracteriza como dificuldade de manter o foco, dificuldade de organização e falta de persistência que não se justificam pelo desafio da tarefa ou por prejuízo da compreensão. A hiperatividade, por sua vez, caracteriza-se pela agitação motora e, nos adultos, manifesta-se como inquietude. A impulsividade ocorre quando há tomada de decisão sem a devida premeditação, sendo produto de uma dificuldade em postergar a gratificação.
No adulto, há prejuízos no campo acadêmico, profissional e relacionamentos interpessoais, principalmente. É comum que adultos com TDAH fiquem mais vezes desempregados, tenham mais comportamentos de risco no trânsito e maiores conflitos interpessoais. Frequentemente, a falha em manter-se engajado em tarefas de longo prazo, assim como as falhas na organização, atenção e planejamento fazem com que outras pessoas tenham interpretações equivocadas sobre o portador de TDAH. É possível que percebam o adulto com TDAH como alguém preguiçoso, lento, com pouca força de vontade.
O diagnóstico tardio no TDAH
Quando pensamos em comportamentos agitados logo os associamos a crianças, mas o TDAH também está presente na vida de adultos. O transtorno pode aparecer na fase avançada por não ter sido identificado e tratado na infância. Também pode surgir após os 18 anos sem nunca ter existido nenhum traço quando a pessoa era criança.
Segundo uma pesquisa da King’s colleges London, 70% dos adultos com o diagnóstico de TDAH não o receberam com a avaliação nas idades de 5 a 12 anos. Ainda não há certeza de que o TDAH na fase adulta seria como um novo distúrbio, para a pesquisadora Terrie Moffitt, sim.
Também há as hipóteses de que o TDAH apenas na fase adulta tem relação com o ambiente social das crianças que não permitiu enxergar os sintomas na infância, como famílias muito protetoras ou escolas pouco atentas.
Para as mulheres é ainda mais difícil o diagnóstico, na infância tentam reprimir os comportamentos hiperativos já que fogem do padrão de feminilidade esperado, como diz aquela famosa frase “meninas são mais tranquilas”. Existem ainda diversos estudos que poderiam ser feitos para concluir melhor como o transtorno só aparece na vida adulta. Mas um fato que não se pode ignorar é que independente da causa ou da origem, na realidade do adulto haverá maiores consequências e desafios ao lidar com o distúrbio.
Existe uma grande influência na vida profissional, em que há a presença de uma instabilidade maior, o rendimento baixo e a procrastinação podem contribuir para o desemprego dos portadores. As relações sociais também são afetadas, as interações românticas podem acabar pela falta de organização e as amizades pelas queixas da dificuldade na construção de diálogos.
Isso pode contribuir para o surgimento de outros transtornos como a depressão, ansiedade, baixa autoestima entre outros, isolando mais ainda a pessoa com TDAH.
O modelo cognitivo comportamental do TDAH em adultos:
O adulto com TDAH apresenta um histórico de fracassos e desistências desde a infância motivados pelos próprios sintomas do TDAH, como tendência à distração, dificuldade de autoregulação, inibição e tendência a evitar situações que levem à frustração.
Assim, há uma forte crença de que tais características dizem respeito a si mesmo e não a um transtorno de característica neurobiológica. Ao longo do tempo, os adultos com TDAH desenvolvem um conjunto de pensamentos disfuncionais com viés negativos sobre suas capacidades, desenvolvendo um estilo de enfrentamento evitativo e já esperando um desempenho pior do que os pares.
Acompanhado a estas crenças, há o sentimento de culpa, tristeza, ansiedade e raiva. Assim, se reforça o ciclo de manutenção das formas evitativas de enfrentamento, pois os pensamentos negativos promovem a dispersão quando a pessoa entra em contato com situações em que há previsão de frustração. O adulto com TDAH evita situações que demandem maior esforço ou que pareçam mais complexas, mantendo assim as crenças de que é incapaz
Tratamentos da TCC para adultos com TDAH
A Terapia cognitivo-comportamental trabalha com a relação entre pensamentos, sentimentos e comportamento, sendo os pensamentos os responsáveis por alterações no humor e nas formas de enfrentamento. A terapia cognitivo-comportamental é por conceito breve, estruturada, direcionada aos problemas apresentados no presente, com previsão de término em um curto prazo e voltada para a reestruturação cognitiva.
A TCC clássica pretende instrumentalizar a pessoa atendida com as habilidades necessárias para que sejam seus próprios terapeutas, utilizando-as em seu dia-a dia. Considerando os prejuízos funcionais do TDAH, o objetivo da terapia cognitivo-comportamental para este público se dá na criação de habilidades para manejo dos sintomas em diversos domínios e melhores formas de enfrentamento e resolução dos problemas cotidianos.
O auxílio nos sintomas relativos à organização, planejamento, controle inibitório, regulação emocional e enfrentamento da procrastinação pretendem promover melhora em diversas áreas da vida dos adultos com TDAH, sendo conhecidas as dificuldades relativas ao desempenho acadêmico, ocupacional, nos relacionamentos e desenvolvimento de projetos à longo-prazo.
O início do tratamento se baseia na aceitação do transtorno e informação sobre os prejuízos oriundos do mesmo. Não se pretende obter a cura do TDAH, por ser um transtorno neurobiológico, mas sim a promoção de formas mais adaptativas frente aos desafios cotidianos e, por conseguinte, melhora significativa na qualidade de vida.
Para a eficácia do tratamento, é essencial a empatia, flexibilidade e estado de não julgamento do terapeuta. Mais do que em outros casos, a aliança terapêutica deve ser excelente. O psicoterapeuta precisa ser um grande motivador do adulto com TDAH, para evitar a desistência antes do final do processo e manutenção das crenças negativas sobre sua capacidade de ter uma vida melhor.
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Psicóloga Daiane Asevedo CRP 08/25359
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CARDOSO, Caroline Benigno. Intervenções em terapia cognitivo comportamental no tratamento do TDAH em adultos. São Paulo, 2017. Dísponivel em: https://repositorio.faema.edu.br/ bitstream/123456789/2684/1/Caroline%20Benigno%20Cardoso.pdf. Acesso em: 01 de Janeiro de 2023.
MARQUES, Juliana. TDAH em adultos: como diagnosticar e tratar na vida adulta. Jornal Jr- Unesp,12 de Outubr de 2022. Dísponivel em: https://www.r-crio.com/blog/tdah-em-adultos-como-diagnosticar-e-tratar-na-vida-adulta/ Acesso em: 01 de Janeiro de 2023
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